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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Palavras dos índios norte-americanos



"Soube que pretendem colocar-nos numa reserva perto das montanhas.
Não quero ficar nela.
Gosto de vaguear pelas pradarias. Nelas sinto-me livre e feliz.
Quando nos fixamos, ficamos pálidos e morremos. Pus de lado a minha lança, o arco e o escudo, mas sinto-me seguro junto deles.
Disse-lhes a verdade. Não tenho pequenas mentiras ocultas em mim, mas não sei como são os comissários. São tão francos como eu?
Há muito tempo, esta terra pertencia aos nossos antepassados. Mas, quando subo o rio, vejo acampamentos de soldados nas suas margens.
Esses soldados cortam a minha madeira, matam o meu búfalo e, quando vejo isso, o meu coração parece partir-se. Fico triste…
Será que o homem branco se tornou uma criança, que mata sem se importar, e não come o que matou? Quando os homens vermelhos matam a caça, é para que possam viver, e não morrer de fome.”  (Satanta, dos Kiowas)




“Quando a pradaria pega fogo, vêem-se os animais cercados pelo incêndio.
Vê-se que eles correm e que tentam esconder-se para não se queimarem.
É dessa maneira que estamos aqui.” (Najinyanupi, dos Sioux)



 “Se não fosse o massacre, haveria muito mais gente aqui neste momento. Mas, depois deste massacre, quem poderia ficar?
Quando fiz a paz com o tenente Whitman, o meu coração estava muito grande e feliz.
A gente de Tucson e de San Xavier deve ser louca. Agiram como se não tivessem cabeças nem corações. Devem ter sede do nosso sangue.
Essa gente de Tucson escreveu para os jornais e contou a sua história.
Os apaches não têm ninguém para contar a sua história.” (Eskiminzin, dos Apaches Aravaipa)



“Esta guerra não nasceu aqui, na nossa terra. Esta guerra foi trazida até nós pelos filhos do Pai Grande, que vieram tomar a nossa terra sem perguntarem o preço, e que, aqui, fizeram muitas coisas más. O Pai Grande e os seus filhos culpam-nos por estes problemas…
A nossa vontade era viver aqui, na nossa terra, pacificamente, e fazer o possível pelo bem-estar e prosperidade do nosso povo. Mas o Pai Grande encheu-a de soldados que só pensavam na nossa morte.
Alguns do nosso povo que saíram daqui de maneira a poder mudar alguma coisa, e outros que foram para o norte caçar, foram atacados pelos soldados desta direcção e, quando chegaram ao norte, foram atacados pelos soldados do outro lado. E agora, que desejam voltar, os soldados interpõem-se para os impedir de regressar ao lar.
Parece-me que há um caminho melhor do que este. Quando os povos entram em choque, o melhor para ambos os lados é reunirem-se sem armas e conversar sobre isso, e encontrar algum modo pacífico de resolver.” (Cauda Pintada, dos Sioux Brulés)




“Não queremos homens brancos aqui.
As Black Hills pertencem-nos.
Se os brancos tentarem tomá-las, lutaremos.” [Tatanka Yotanka (Touro Sentado), dos Sioux]


“Onde estão hoje os pequot? Onde estão os narragansett, os moicanos, os pokanoket e muitas outras tribos outrora poderosas do nosso povo?
Desapareceram diante da avareza e da opressão do homem branco, como a neve diante de um sol de Verão.
Vamos deixar que nos destruam, por nossa vez, sem luta, renunciar às nossas casas, à nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos dos nossos mortos e a tudo o que nos é caro e sagrado?
Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!” (Tecumseh, dos Shawnees)



"O Pai Grande disse aos comissários que todos os índios tinham direitos nas Black Hills, e que qualquer conclusão a que chegassem seria respeitada…
Sou um índio e sou considerado pelos brancos como um homem louco.
Mas isso deve ser porque sigo os conselhos do homem branco.”
[Shunka Witko (Cachorro Louco), dos Sioux]


“Tudo o que pedimos é para podermos viver, viver em paz…
Cedemos à vontade do Pai Grande e fomos para sul.
Achámos que um cheyenne não podia viver ali.
Então, voltámos para casa. É melhor morrer a lutar do que de doença, foi o que achámos…
Podem matar-me aqui, mas não me obrigarão a voltar.
Não iremos.
A única maneira de nos levarem para lá é usando clavas para nos baterem na cabeça.
Então podem arrastar-nos e deixarem-nos por lá - mortos.”
[Tahmelapashme (Faca Embotada) dos Cheyennes do Norte]



“Eu estava a viver pacificamente com a minha família, tinha muita comida, dormia bem, cuidava do meu povo e estava contente. Ali estávamos bem, eu e o meu povo.
Comportava-me bem. Não matara nenhum cavalo, nenhum homem, americano ou índio.
Não sei qual era o problema com a gente que se encarregara de nós. Sabiam que tudo era assim, mas disseram que eu era um homem mau, o pior homem dali.
Mas o que é que eu tinha feito? Estava a viver pacificamente com a minha família à sombra das árvores, fazia exactamente o que o general Crook me dissera para fazer, procurava seguir o seu conselho.
Agora quero saber quem ordenou que eu fosse preso.
Rezei à luz e à treva, a Deus e ao Sol, para que me deixassem viver tranquilamente com a minha família. Não sei qual é a razão que leva as pessoas a falarem mal de mim. Frequentemente há histórias nos jornais a dizerem que serei enforcado.
Não quero mais isso.
Quando um homem tenta proceder bem, tais histórias não devem ser colocadas nos jornais. Só restaram poucos dos meus homens. Fizeram algumas coisas más, porém agora estão todos mortos e não falemos mais deles.
Sobraram pouquíssimos de nós.”
(Jerónimo, dos Apaches Chiricahuas)



“Meus amigos, estamos neste território há muitos anos.
Nunca fomos ao território do Pai Grande incomodá-lo.
Foi o seu povo que veio ao nosso território incomodar-nos, fazer muitas coisas más e ensinar o nosso povo a ser mau…
Antes de o vosso povo atravessar o oceano para vir até aqui, e desde essa época até agora, nunca propuseram comprar um lugar semelhante a este.
Meus amigos, este território que vieram comprar é o melhor que temos…
Este território é meu, cresci aqui.
Os meus antepassados viveram e morreram nele - e quero permanecer nele.”
[Kangi Wiyaka (Pena de Corvo), dos Sioux]



"As pessoas não vendem a terra em que vivem.”
(Cavalo Louco, dos Sioux)


“Embora me tenham feito mal, ainda tenho esperanças.
Não fiquei com dois corações…
Agora encontramo-nos outra vez para fazer a paz. A minha vergonha é tão grande como a terra, embora eu vá fazer o que os meus amigos aconselham.
Antes, eu pensava que era o único homem que insistia em ser amigo dos brancos.
Mas, desde que eles vieram e acabaram com as nossas tendas, cavalos e tudo o mais, é difícil para mim acreditar ainda neles.”
[Motavato (Chaleira Preta), dos Cheyennes do Sul]





“Não quero deixar nunca este território.
Todos os meus parentes jazem neste solo e, quando eu me desfizer, quero desfazer-me aqui.”
[Shunkaha Napin (Colar de Lobo), dos Sioux]


“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra?
Foi a voz do povo vermelho, que só tinha arcos e flechas…
Eu não quis, nem pedi, o que fizeram à minha terra, os brancos a percorrerem a minha terra.
Sempre que o homem branco vem ao meu território, deixa um trilho de sangue atrás dele…
Tenho duas montanhas neste território - as Black Hills e a Big Horn.
Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas.
Disse estas coisas três vezes.
Agora venho dizê-las pela quarta vez.”
(Nuvem Vermelha, dos Sioux Oglala)